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Preciso fazer musculação para gerar hipertrofia muscular?

Preciso fazer musculação para gerar hipertrofia muscular?

Preciso fazer musculação para gerar hipertrofia muscular?Esta ainda é uma pergunta que escuto com uma certa frequência. Para entender, primeiro é necessário saber o que é hipertrofia muscular e o que é a musculação.
A definição de hipertrofia muscular é caracterizada por um aumento do volume muscular, seja pelo aumento da capacidade de armazenamento de glicogênio (energia) ou pela produção de miofibrilas que formam a fibra muscular (aumento da estrutura muscular em calibre).

Teorias a parte, que gera a hipertrofia é o aumento gradativo das cargas nos treinos, gerando estresse e por consequência um processo adaptativo neural e muscular. É importante ressaltar que a alimentação é essencial para gerar aumento do músculo, pois sem uma alimentação com aporte calórico, proteico e de vitaminas e minerais, o músculo acaba sendo consumido ao invés de ser construído.

A musculação é uma ferramenta comprovadamente importante para gerar hipertrofia e teve seu ápice nas décadas de 80 e 90 com a popularização das academias e mitos que se consolidaram como o caso de sucesso de Arnold Schwarzenegger, que já na década de 70 ganhou o título de Mr. Olympia e com o tempo ganhou fama internacional com filmes que exibiam seus músculos hipertrofiados.

No esporte, praticamente em toda a preparação física de base dos atletas é trabalhada na musculação uma série de exercícios para ganho de volume muscular para que na sequência seja realizado o treinamento específico de cada esporte.

Mas será que somente na musculação teremos este nível de hipertrofia esperado para o atleta? Agora o mais importante, será que era possível gerar hipertrofia muscular nos tempos remotos, em que a musculação ainda não existia?

Dados antropológicos nos mostram que nossos ancestrais, mesmo já utilizando as mãos para produzir ferramentas, ainda possuíam uma musculatura evidentemente mais forte que nós, por ainda subirem em árvores e por diversas atividades de sobrevivência que exigiam movimentação extremamente diversificada e específica, comparada a rotina do homem contemporâneo.

Diversificada e específica?

Sim, diversificada no sentido de que dificilmente as atividades nos nossos ancestrais eram repetitivas antes da revolução agrícola que ocorreu a mais ou menos 12000 anos atrás, como um operário em uma fábrica, um pedreiro em uma obra ou ainda um agricultor na lavoura. Específica, no sentido de que todas as suas atividades eram voltadas para buscar adaptações ao terreno e a realidade em que se encontravam, ou seja, as espécies de hominídeos que deram certo foram as que se adaptaram melhor ao ambiente, hoje fazemos exatamente o oposto, adaptamos o ambiente à nós, assim não precisamos evoluir para nos adaptarmos e estamos cada vez mais fracos pela subutilização do nosso corpo que tentamos compensar nas academias carregando pesos para moldar nossos corpos.

Tempos mais tarde, em vários momentos da história tivemos exemplos de homens que desenvolveram o corpo com treinamentos sobre-humanos como os gladiadores e os vikings e nesta época, posso lhes assegurar de que não existiam academias de musculação.

Nos tempos atuais, existem muitas alternativas de treinamentos que geram hipertrofia sem necessariamente levantar pesos. Várias destas técnicas como o treinamento funcional, pilates, yoga, calestenia, crossfit e escalada, são técnicas que agregamos em termos de conceito e como ferramentas na reabilitação de nossos pacientes e geramos hipertrofia, sem que nossos pacientes precisem levantar pesos.

Percebemos que para um ganho de força muscular efetivo é necessário que nosso paciente desenvolva consciência de seu corpo e aprenda a aplicar esta força com eficiência, pois o volume muscular é consequência desta eficiência que se adquire com ajustes posturais eficientes (eficiência biomecânica) durante a movimentação. Portanto, mais importante do que ter força é ter controle do corpo e como consequência deste controle geramos mais força e hipertrofia.

Quanto a pergunta inicial, acredito que a musculação seja um formato de treinamento fácil de conduzir, já que reduz as variáveis para aumento de carga e aumento de repetição para ganho de força e resistência muscular, quando aumentamos as variáveis, como controle de estabilidade de tronco, controle de pelve, equilíbrio e outras, é bem mais difícil de controlar o treino, mas os resultados são incríveis, já que neste tipo de treinamento com movimentação variada e treino de estabilização a quantidade de inputs que estamos gerando para o cérebro construir um sistema inteligente de sustentação do corpo se adaptando a qualquer situação, não tem igual, a musculação não é capaz de nos proporcionar estas adaptações, já que é um treinamento com variação bem baixa de movimentação. Portanto, não tenho nada contra a musculação, mas também muito pouco a favor.

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Artigo Escrito Por:

Cláudio Cotter

Claudio Cotter | CREFITO 30874-F

Instagram: @fisiocorredor

  • Graduação em Fisioterapia pela Universidade Cidade de São Paulo;
  • Especialista em RPG;
  • Formação no Método Busquet;
  • Pós Graduado em Medicina Psicossomática – Associação Brasileira de Medicina Psicossomática;
  • Ex-Fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina de Futebol (CBF);
  • Colunista do Portal Ativo e Webrun;
  • Ultramaratonista;
  • Consultor da Mizuno segmento running;
  • Sócio-fundador da CM.2 Clínica Multidisciplinar.

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